Fernanda Fernandes Borges

Fernanda Fernandes Borges

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Carnaval 2015 trouxe surpresas e polêmicas


                                                                       Fernanda Fernandes Borges   


A cidade de Cláudio, localizada no Centro-Oeste mineiro, foi a primeira da região a cancelar o carnaval 2015, em janeiro, devido ao problema da escassez de água. Outros municípios como Oliveira e Itapecerica também tomaram essa decisão. Outros motivos como falta de verba e segurança também foram pretextos para os prefeitos dessas cidades e de tantas outras em, Minas Gerais, para impedir a maior festa popular brasileira.

Na sexta-feira de carnaval o bloco “Pelo Amor de Deus” saiu às ruas em, Oliveira, para protestar contra a decisão do prefeito pelo cancelamento do carnaval. As pessoas estavam vestidas de preto e com velas acesas para simbolizar o “enterro” da festa. No entanto, a população não deixou a tradição esquecida e mesmo em clima de manifesto, o bloco saiu.

Em Itapecerica, a população interessada no carnaval recorreu ao Poder Judiciário e conseguiu o direito de sair com os blocos na rua e o apoio da prefeitura para  aumentar a segurança. O carnaval aconteceu, mesmo sem grandes investimentos.

O caso mais contraditório é o da cidade de Cláudio. Houve um Pré - Carnaval, no Parque de Exposições,  nos dias 30 e 31 de janeiro, com atrações como os grupos Sambô e Molejo. Além desse evento ter sido um fracasso, o dinheiro gasto com ele poderia ter sido investido no carnaval da cidade, que já atraiu muitos turistas.

O mais decepcionante é ouvir que o poder Executivo disse que o carnaval em Cláudio não tem muita adesão da população e que o prefeito economizou dinheiro ao realizar o Pré-Carnaval com atrações pagas ao invés de realizar o tradicional festejo nas ruas do centro da cidade.

                                                                      Foto: Arquivo Pessoal

Saudades de quando o Carnaval ainda existia

 

Não houve uma pesquisa por parte da prefeitura para saber quem gosta ou não do carnaval. Além disso, essa festa sempre foi comemorada na cidade. Como uma autoridade tem coragem de falar que economizou dinheiro trazendo artistas para tocar em um Pré- Carnaval?

É lamentável a postura de quem representa esse município. Não é por acaso que Claúdio tem o apelido da “Cidade Já teve”. Já teve cinema, carnaval, cultura e respeito pela população. Hoje não tem mais. O pior é a acomodação de quem habita o município e deixa suas tradições e raízes se perderem, em meio a uma péssima administração.

Que bom foi acompanhar os blocos das cidades de Oliveira e Itapecerica e a determinação de seus moradores na realização de uma festa que dependia mais da alegria do seu povo do que da verba de suas prefeituras.

A falta de água é um problema sério e todos devem ser conscientes em relação ao seu uso. No entanto, não é a realização de um carnaval que agravaria ainda mais a situação. E por que essas autoridades não tomaram providências antes?

Este ano, as polêmicas da maior festa popular do Brasil  atingiram até a escola de samba carioca Beija – Flor de Nilópolis, coroada com o campeonato 2015. O enredo que falava da Guiné Equatorial, país governado há 35 anos pelo ditador Teodoro Obiang Nguema, dividiu opiniões. O patrocínio de cerca de R$ 10 milhões dados pelo ditador também não foi bem aceito por grande parte da opinião pública.

Infelizmente, uma festa tão alegre quanto o carnaval não precisaria sofrer boicotes tão perversos como nas cidades mineiras que o cancelaram por uma atitude autoritária e não preventiva, como certas autoridades alegaram em seus deploráveis discursos. Tomara que no futuro próximo, o apelido “Cidade Já teve” que Cláudio carrega, sirva, apenas, para designar os políticos pouco capacitados que por lá passam e deixam uma marca de destruição ao invés de significar o esquecimento das suas tradições e de sua história.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A história vive através do mercado

 
 
                                     Fernanda Fernandes Borges
 

No centro da capital mineira, um quarteirão formado pelas ruas Santa Catarina, Curitiba, Goitacazes e Augusto de Lima tem relevante importância para o cenário  da cidade. Ali em meio ao caos urbano, está um pequeno pedaço da história de Minas Gerais.
 
 
 
Fotos: Fernanda Fernandes Borges

Bonecos do Pinóquio à venda

 
 
 
 
Fotos: Fernanda Fernandes Borges

Diariamente milhares de pessoas transitam pelo espaço


 
O Mercado Central foi criado no dia 7 de setembro de 1929, pelo prefeito Cristiano Machado. O objetivo era centralizar o abastecimento e por isso o terreno com 22 lotes foi disponibilizado para esse espaço. Após, 85 anos de existência, esse ponto comercial abriga 410 lojas e recebe cerca de um milhão e 300 mil pessoas por mês. Estima-se que passam pelo Mercado, diariamente 31 mil visitantes e aos sábados o número pode chegar a 68 mil.
 
 

Por meio dos corredores, o que se observa é a essência mineira por meio das cores das pimentas e temperos. O artesanato, as flores com sua exuberante beleza e os utensílios refletem o cenário de uma Minas Gerais que muitos moradores da capital desconhecem ou sentem saudades, caso já tenham vivido no interior.
 
                                                                              Fotos: Fernanda Fernandes Borges


As flores enfeitam os corredores do Mercado Central


 
 
O espaço de compras é bastante diversificado e também um ponto de encontro de gerações. Há quem o visite mais de uma vez na semana, seja para rever amigos que fez nas lojas,  ou para encontrar velhos conhecidos,  que se reúnem ali para apreciar as bebidas e comidas típicas do estado.          
 



 






Os olhos de quem vai ao Mercado pela primeira vez são de admiração e curiosidade. A intenção é explorar o cenário meticulosamente e extrair dali experiências gastronômicas, históricas e culturais.


Referência para turistas nacionais e estrangeiros, o Mercado Central de Belo Horizonte é um dos lugares mais populares e divertidos para o lazer e as compras. As frutas e verduras são um espetáculo á parte. A beleza das cores aliada ao sabor deixa um gosto irresistível a quem as saboreia.
 
                                                                                                  Fotos: Fernanda Fernandes Borges

A qualidade das frutas é uma referência no Mercado



 

Os queijos, as carnes e o artesanato são destaques nos corredores do mercado.








                                                                                                      Fotos: Fernanda Fernandes Borges

Visitar  esse quarteirão é a possibilidade de compartilhar a história mineira, repleta de tradições e iguarias que se destacam no centro de uma das maiores cidades brasileiras. É um privilégio ter um local como esse em Belo Horizonte. O imediatismo urbano dá passagem para alguns minutos de contemplação, quando se tem a oportunidade de conhecer e desfrutar das riquezas do Mercado Central.
 
 
 
 

                  (Fotos: Fernanda Fernandes Borges)



 
 



 

 
 
 
 


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A obesidade está diretamente relacionada aos hábitos alimentares



                        Fernanda Fernandes Borges



A Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada no fim do ano passado, mostrou que, na alimentação diária dos brasileiros, estão presentes 60% de alimentos com maior teor de gordura.

O estudo foi realizado com 63 mil pessoas, entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014, em todo o país. Dos entrevistados, 37,2% afirmam ingerir comida muito gordurosa. Os homens são os que preferem os alimentos mais gordurosos, representam 47,2% das pessoas ouvidas. Já as mulheres correspondem a 28% dos entrevistados que apreciam comidas com alto teor de gordura.

O Ministério da Saúde lançou o Guia Alimentar para a População Brasileira. Ele traz os cuidados e caminhos para uma alimentação saudável. Quem quiser pode consultar, aqui o Guia.

A falta de cuidado com o peso aliada ao sedentarismo pode provocar além da obesidade, doenças cardiovasculares, problemas circulatórios, ortopédicos, diabetes, pressão alta, enfartes, derrames, insuficiência renal, dentre outras doenças. A cobrança social por um indivíduo dentro dos padrões, considerados normais, também é grande e pode levar a pessoa que não se cuida a sofrer preconceito discriminação, caso esteja acima do peso.
 
 

                                                                                                Fotos: Fernanda Fernandes Borges


As frutas e as verduras são boas opções para uma vida saudável

 

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, feita em parceria com a Covidien, empresa que desenvolve e fabrica produtos médicos, revelou que o Brasil em 2014 já tinha 6,8 milhões de obesos mórbidos. Esse tipo de obesidade apresenta risco de morte para o paciente.

Ainda segundo esse estudo, o Brasil tem quase 25 milhões de obesos, o que representa 18,5% da população. De acordo com o coordenador da pesquisa Luiz Vicenti Berti, presidente do conselho fiscal da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, são realizadas cerca de 60 mil cirurgias bariátricas, no Brasil. Destas, 70% são feitas por convênios. O Sistema Único de Saúde (SUS) faz 9 mil cirurgias por ano.

Os dados são preocupantes. A maioria da população que sofre com a obesidade pertence a uma camada social de baixa renda. Caso necessite passar por um procedimento cirúrgico, provavelmente terá que esperar anos na lista dos hospitais públicos.

Com o aumento da renda, as pessoas passaram a consumir alimentos mais industrializados e pouco saudáveis. A falta de exercícios físicos prejudica o metabolismo do corpo e aumenta o risco do sobrepeso.

É necessário que as pessoas revejam seus hábitos alimentares e pratiquem atividades físicas. O melhor remédio é prevenção e não uma cirurgia. As crianças devem ser educadas, desde cedo, a consumirem diversos alimentos naturais e menos fast-foods.

A rapidez da vida cotidiana é a justificativa de muitos para o relaxamento com a saúde. É vital que o ser humano tenha consciência de que quanto mais gordo ele estiver, menos produzirá. A vaidade nesse quesito é fundamental, para que as pessoas comecem  a se cuidar mais, não apenas pelo objetivo estético, mas pelo bem estar físico e psicológico.

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Agora é oficial


                                                                          Fernanda Fernandes Borges


          A data de ontem, dia 10 de fevereiro de 2015,  é importante para a Assembleia Legislativa  de Minas Gerais. Houve a aprovação, em 2º turno, da volta do auxílio – moradia. Em uma reunião, ocorrida em aproximadamente 20 minutos, por 36 votos a favor, contra 22, os parlamentares optaram por esse benefício, no valor de R$ 2.850,00. Houve 11 abstenções e 9 ausências.

                                                                                  Foto: Jefferson Veloso / ALMG

Deputados aprovaram a volta do auxílio-moradia





A verba indenizatória, no valor de R$ 20 mil, para os custos com os gabinetes, também foi aprovada. Lembrando, que ela contemplará até os deputados licenciados, aqueles que se tornam Secretários, por exemplo.

As decisões aconteceram em meio às vaias de algumas pessoas que acompanhavam a sessão. A indignação era evidente no público que estava no local. Alguns parlamentares, como João Leite (PSDB) e Marília Campos (PT), fizeram questão de reafirmar o voto contrário ao auxílio-moradia. Eles lembraram que o dinheiro sai da população e que o país tem passado por crises em diversos setores.

Agora é o momento oportuno de acompanhar as próximas sessões na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para saber quais serão os próximos passos. Eles tiveram a coragem de aprovar como 1ª medida do mandato esses benefícios, imaginem o que poderá vir depois.

Se o cidadão anseia por políticos mais sérios e engajados, precisa  saber quais deputados foram favoráveis a essa votação que apenas beneficia a eles próprios, além de representar um atraso na condução da política mineira. Assim, talvez,  será mais fácil eleger melhores opções para futuras legislaturas. O maior problema é depositar a confiança em pessoas que muitas vezes são corrompidas com o desejo do poder e do dinheiro fácil, vindo dos cofres públicos.       

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O retrocesso volta assombrar a política mineira


                                                                                      Fernanda Fernandes Borges


Parece uma piada, mas não é. No dia 5 de fevereiro, quatro dias após tomarem posse na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, os deputados estaduais aprovaram, em 1°turno, por 40 votos a 4, a volta do auxílio-moradia no valor de R$ 2.850,00, para todos, mesmo para aqueles que possuem casa própria na capital mineira ou na região metropolitana.

A decisão ainda precisa ser votada em 2° turno, mas não depende da aprovação do governador, pois é um projeto da Mesa Diretora. E as vantagens não param por aí. Foi aprovada também a verba indenizatória que tem a função de custear as despesas com os gabinetes no valor de R$ 20 mil. Isso também contempla os deputados licenciados que estejam exercendo outras funções.

O pacote de vantagens parece inesgotável, pois esses políticos ainda consentiram a criação de sete cargos com funções gratificadas, com proventos de R$ 4 mil, cada um. Parece um pesadelo, mas é a realidade de fatos que sempre se repetem na política brasileira.

O auxílio-moradia havia sido suspenso na legislatura passada e só atendia 23, dos 77 deputados, que não moravam em Belo Horizonte  ou na região metropolitana.  Caso essa medida seja aceita no 2º turno, os deputados passarão a receber esse dinheiro, imediatamente.
 
                                                                                                                    Foto: Raíla Melo / ALMG

Poucos dias após a posse, parlamentares aprovaram benefícios para o próprio trabalho

 

Atualmente, um deputado estadual de Minas Gerais recebe um salário de R$ 17.165,33, fora outras vantagens adicionais. Deve ser por isso, que dos 77 políticos, 52 foram reeleitos e 25 são novatos. Ou seja, o salário é excelente e os privilégios imensuráveis, por isso quem já está lá, não quer sair.

Enquanto o trabalhador recebe um salário de R$ 788,00, por um duro mês de trabalho, esses parlamentares mineiros se preocupam não em criar projetos para uma vida mais decente dos cidadãos. Querem vantagens descabidas e onerosas , pagas com dinheiro público, para si próprios.

É lamentável, aceitar as mesmas caras sempre na Assembleia e o pior recebendo salários milionários por um trabalho que é praticamente impossível reconhecer. Por que eles ganham tanto e trabalham tão pouco?

Porque o Brasil ainda está muito atrasado nas questões políticas, com certeza. Muitos cidadãos nem se lembram em que votaram e não  acompanham o desempenho de seu candidato, quando este é eleito. Agora, seria o momento certo de saber quem se elegeu e foi favorável à aprovação dessas medidas, tão despropositais.

Nessa sessão das vantagens, ocorrida no dia 5, estiveram presentes 56 deputados dos atuais 77. Quem justificar a falta, não terá desconto no salário. Deve ser por isso, que em todas as eleições os números de pessoas que se candidatam é  cada vez maior, pois esse seria um trabalho dos sonhos para muitos.

Enquanto a mentalidade política do brasileiro e do mineiro não se transformar será praticamente impossível coibir tais atos. A consciência crítica e o poder da cobrança por resultados poderiam ser mais eficientes se os eleitores fossem mais atentos às suas escolhas. Trocar um voto por uma cesta básica é tão grave quanto o ato de receber dinheiro pela sua escolha ou  ficar na expectativa de conseguir algum cargo público, ao apoiar determinado candidato.

A idoneidade deveria ser relevante ao escolher um político. Quem deseja um país mais íntegro e menos corrupto deve ficar atentos aos acontecimentos políticos a nível estadual e federal. Assim, é possível dar uma resposta mais coerente e menos repetitiva nas urnas.

 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A crise da água no Brasil mostra irresponsabilidade no passado


 

                                   Fernanda Fernandes Borges



A falta de planejamento aliada a uma demanda crescente por recursos hídricos, provoca uma grave crise por água, principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O estado paulista é o mais atingido, vive o período mais crítico dos últimos 80 anos.

O Sistema Cantareira é um conjunto de represas, criado no ano de 1970, para abastecer a região metropolitana de São Paulo, devido ao rápido crescimento populacional. Para se manter cheio depende das chuvas de verão. Em julho de 2014, o volume útil do Cantareira, que atende 8,8 milhões de pessoas, esgotou.

A Agência Nacional de Abastecimento (ANA) garante que já havia previsto esse colapso no abastecimento, há 15 anos. Depender apenas do Cantareira e das chuvas, que não vieram como o esperado, já não seria o suficiente para a demanda. O desperdício de água no Brasil é enorme com tubos rachados, registros defeituosos e vazamentos em hidrantes. Isso agrava ainda mais a situação.
 
 
                                                                             Foto: Reprodução

Sistema Cantareira passa por situação crítica

 

Segundo a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), em 2014, houve 2,6 bilhões de litros de água desviados, no estado. A quantia seria suficiente para abastecer 260 mil pessoas, durante um mês. As fraudes aconteciam em residências e estabelecimentos comerciais.

No Rio de Janeiro, dois reservatórios que abastecem o Sistema Paraíba do Sul, principal fonte de água do estado, já atingiram o volume morto. O governo já avalia a possibilidade do racionamento. Mesmo assim, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, deseja realizar a obra de transposição do Rio Paraíba do Sul para socorrer as represas paulistas. Especialistas dizem que a obra deve ser feita apenas quando o nível da água voltar a crescer, caso contrário seria ligar “nada a lugar algum”.

Em Minas Gerais, o governador Fernando Pimentel já recorreu ao governo Federal para enfrentar a crise hídrica. O Sistema Paraopeba, que abastece 31 cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, enfrenta grande queda em seu volume de água. Por isso, está em estudo a criação de um novo sistema de abastecimento na bacia de outros rios. Além disso, o governo mineiro pretende cobrar taxa extra para quem consome muita água. Há campanhas publicitárias, incentivando a população a economizar 30% de água.

É evidente que não só a população desses estados, mas todos os brasileiros devem economizar água e saber utilizar esse recurso com responsabilidade.  Em São Paulo, muitas casas já ficam sem água por algumas horas, e até dias, e as pessoas enfrentam situações críticas, chegando a aproveitar água da chuva até para o banho. Os especialistas alertam que a água proveniente das chuvas, apenas deve ser utilizada para regar as plantas, limpeza de passeios e descargas sanitárias, devido à falta de tratamento adequado para a higiene do corpo e o consumo.

Além de não ter um atendimento satisfatório o consumidor paga a conta elevada não só na água, mas também nos alimentos que têm o preço reajustado, devido a essa crise. A energia elétrica, proveniente das hidrelétricas,  está cada vez mais cara e na maioria dos estados brasileiros, o consumidor já paga bandeiras tarifárias, quando o consumo mensal passa de 100KWh. Os cidadãos padecem por ineficiência de governos que poderiam ter tomado atitudes, antes desse colapso.

A água é vital para o ser humano. A consciência da população auxilia nesse processo. São abomináveis as tentativas emergenciais para socorrer uma crise que poderia ter sido evitada. Como sempre, o povo paga pela atitude leviana de autoridades que se dizem capazes de governar um estado, quando não conseguem  gerenciar a própria vida.

As obras não ocorrem da noite para o dia. Por isso, campanhas de conscientização e outras alternativas  poderiam ter sido pensadas, antes de  2014. Mais uma vez, o hábito de deixar tudo para a última hora, pode levar cidades, cada vez mais, a ficarem sem água e sem perspectivas de como consegui-la para a própria sobrevivência.

 

 

 

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A efemeridade das relações impede o uso do bom senso

                                                                

                                                                                                            Fernanda Fernandes Borges

 


A maior festa popular do Brasil se aproxima. No carnaval, grande parte das pessoas querem se divertir e em, muitos casos, se esquecem de que alguns minutos de prazer podem trazer sérias consequências, para o resto da vida. Se na folia, a atitude for irresponsável, mais tarde, o que foi alegria, pode se transformar em tristeza e desespero.

O Ministério da Saúde divulgou a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP), no dia 28 de janeiro, deste ano. O levantamento realizado em 2013, com 12 mil pessoas na faixa etária dos15 aos 63 anos, mostrou que 45% dos entrevistados afirmam não ter usado camisinha, durante o ano de 2013.

A pesquisa revelou ainda que 94%, desses brasileiros entrevistados, têm consciência de que o preservativo é a melhor forma de se evitar a Aids e outras doenças transmitidas pelo contato sexual. Outro número surpreende: 44% das pessoas que participaram desse estudo, disseram já ter tido mais de 10 parceiros sexuais, durante a vida.

Com tantas informações recebidas pelos cidadãos, diariamente na sociedade, pelos meios de comunicação como rádio, tv, e pela internet, é inadmissível que o ser humano tenha um comportamento tão desprezível com a própria saúde e com os parceiros que se relaciona.

Na contemporaneidade, a era digital serve para transmitir informações e promover interações, através das redes sociais. “Por que a maioria das pessoas conectadas não realizam campanhas de conscientização da importância do uso da camisinha?” Essa atitude não deve se restringir a uma determinada faixa etária, classe social ou gênero sexual. Deve ser de todos e para todos, indistintamente.

A divulgação dos dados pelo Ministério da Saúde ocorreu no dia do lançamento da Campanha de Prevenção à Aids e Outras Doenças Sexualmente Transmissíveis do Carnaval 2015. A campanha deste ano enfocará o uso do preservativo e incentivará também a realização de testes de HIV. O slogan será “#partiu teste”.
 

                                                                                        Foto: Ministério da Saúde


Campanha incentiva o folião a fazer o teste de HIV


 

Essas medidas não devem ser tomadas apenas no período carnavalesco. Cabe ao Ministério da Saúde, reforçar políticas de prevenção à Aids e outras doenças sexuais, em escolas, faculdades, empresas, órgãos públicos, dentre outros locais, durante o ano todo. Os jovens não são os únicos irresponsáveis.. Muitos adultos que deveriam ter maturidade, agem, infelizmente, como seres irracionais ao colecionarem parceiros e descartarem a prevenção.

Segundo o Ministério da Saúde, a Aids no Brasil, está estabilizada com cerca de 39 mil novos casos, a cada ano. A mortalidade caiu na última década. Em 2003, eram 6,4 mil mortos a cada 100 mil habitantes e em 2013 passou a ser 5,7 mil.

Pensar que a Aids está estabilizada em nosso país é um retrocesso. O ideal seria se não houvesse novos casos, todo ano. A camisinha deveria fazer parte da cultura do brasileiro, assim como as festas, as comidas típicas, o futebol e o culto à beleza. A discussão  sobre esse tema deveria está nas pautas das famílias brasileiras.

O governo Federal vai distribuir 70 milhões de preservativos pelo país, priorizando os locais em que se concentram maior número de foliões. Haverá propagandas em rádios, televisões e internet. Cartazes serão afixados em vários locais, pelo Brasil.

A falsa moralidade que se instala em alguns lares brasileiros impede que o uso do preservativo, seja discutido de modo mais sério e eficiente. A pior consequência pode ser a Aids ou outras doenças transmitidas pelo ato sexual que não escolhem raça, cor, idade ou sexo para se instalar. Cabe a cada cidadão refletir, qual é realmente o valor de sua vida. Se ela vale apenas uma noite de carnaval com parceiros desconhecidos ou se transcende a aventura e a irresponsabilidade, e, por isso, deve ser bem gerenciada e preservada.

 

 

 

 

 

 

          

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Inglaterra aprova fertilização com material genético de três pessoas


                                                              Fernanda Fernandes Borges


Um país tradicional  e defensor da monarquia. Conhecida também pelo seu conservadorismo em relação a diversos assuntos, a Inglaterra inova na ciência. O parlamento britânico aprovou ontem, no dia 3 de fevereiro, a lei que permite a fertilização in vitro com o DNA de duas mulheres e um homem. Foram 382 votos favoráveis, contra 128.

          A técnica foi criada na universidade de Newcastle, na Inglaterra, e tem como objetivo reduzir o número de bebês nascidos com doenças hereditárias, provenientes das mães. O processo consiste na transferência do núcleo do óvulo da mãe para o de outra mulher saudável. Esta seria responsável por repassar cerca de 0,1% de seu material genético para a criança. Quanto aos direitos da maternidade, a doadora não teria nenhum, sobre o bebê em questão.

O procedimento que também pode ser realizado depois do óvulo fecundado, possibilita a presença de três DNAs no bebê: o do pai, o da mãe e uma pequena quantidade do DNA da doadora. As doenças genéticas que os cientistas tentam evitar nos filhos de mães que possuem o gene com essa predisposição são: distrofia muscular, cegueira, perda de massa muscular, problemas no coração, rins e pulmões.

A Igreja Católica, a Anglicana e alguns cientistas são contra essa técnica. Eles alegam que esse processo precisa de mais estudos e pesquisas para provar sua eficácia. Muitos temem que esse tipo de fertilização, que altera o DNA mitocondrial do embrião, desperte o desejo de se escolher até as características físicas dos filhos. Dessa forma, a criança seria feita de acordo com as preferências fisionômicas dos pais, como uma obra de arte, não esculpida pela natureza, mas pela ciência.

A Inglaterra foi pioneira na Revolução Industrial e agora surpreende o mundo com a aprovação desse procedimento. A intenção é benéfica para futuras mães que sonham com bebês sadios. No entanto, o debate ético é forte e precisa ser levado em conta para que os limites da ciência não ultrapassem os fins terapêuticos.
 
                                                                              Foto: Reprodução

Parlamento britânico aprovou a fertilização com 3 DNAs

 

Toda essa evolução é positiva, desde que utilizada com o objetivo científico e não estético, determinado por certos padrões, definidos por algumas sociedades contemporâneas. A mentalidade desses bebês, que já devem nascer, no ano que vem, deve ser também analisada para saber qual será o efeito psicológico dessa fertilização no desenvolvimento da criança.

A pontualidade britânica se destaca em uma técnica ousada e divergente. Os resultados, apenas poderão ser verificados ,após o nascimento do primeiro bebê. Até lá, é possível debater em que patamar o homem pode chegar, seja em ações e intenções boas, para a cura de doenças, ou até o infinito da vaidade, capaz de produzir seres que podem até diferir de legítimos humanos, tamanha pode ser a fantasia de uma pessoa, com a sonhada e utópica perfeição estética.