Fernanda Fernandes Borges

Fernanda Fernandes Borges

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Grécia aprova medidas austeras para receber auxílio financeiro


 

                                                                       Fernanda Fernandes Borges



No dia 13 de julho deste ano, a Grécia fechou um acordo com seus credores, no qual consta a necessidade de se adotar medidas severas para a concessão de  um novo empréstimo financeiro. Apesar do plebiscito, ocorrido no dia 5 de julho, mostrar que mais de 60% dos eleitores eram contra tais imposições, o primeiro - ministro Alexis Tsipras resolveu aceitar as condições impostas.

O primeiro pacote foi aprovado no Parlamento Grego, no dia 15 de julho e, 4 das 14 exigências dos credores da Grécia, foram aprovadas:

-  Ajuste de impostos e ampliação do número de contribuintes, com o objetivo de aumentar a arrecadação;

- Reforma no sistema de aposentadoria e pensões para torná-lo, viável financeiramente;

- Privatização do setor elétrico;

- Criação de leis que cortem os gastos, caso o governo não cumpra as metas do superávit fiscal;

O segundo pacote teve sua aprovação no Parlamento, no último dia 22. Ele se refere ao sistema bancário e ao Código Civil do país. São as seguintes mudanças:

- Código Civil:  Acelerar os processos judiciais e reduzir os custos, através da dispensa de testemunhas nos julgamentos civis.

- Sistema Bancário:  Introdução de normas que facilitem  os leilões de imóveis, quando embargados pelos bancos. Adoção de uma diretriz europeia, para que os bancos garantam seus depósitos de até 100.000 euros.

O novo pacote de ajuda financeira à Grécia não perdoa dívidas e impõe medidas duras ao país. Na aprovação desses dois pacotes, houve manifestações de repúdio aos credores e suas exigências, por parte de manifestantes contrários às decisões do Parlamento Grego.

Alexis Tsipras vive uma situação delicada e deixou claro que não concorda com as imposições dos credores, no entanto resolveu aceitá-las, temendo que a Grécia pudesse enfrentar uma crise ainda pior, caso saísse da União Europeia.
 
                                                                                                        Foto: Reprodução

O primeiro -ministro grego Alexis Tsipras está tomando decisões que contradizem com o seu discurso na esperança de salvar a Grécia

 

No dia 20 de julho, os bancos gregos foram reabertos e agora a população pode sacar, por semana, 420 euros.  Nesse mesmo dia, a Grécia pagou uma dívida de 500 milhões de euros ao Banco Central Grego.

No dia 21 de julho, a Grécia pagou sua dívida atrasada ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de cerca de 2 bilhões de euros. Também pagou o bônus de 3,5 bilhões de euros e 700 milhões de juros ao Banco Central Europeu.

Os recursos para esses acertos foram provenientes de um empréstimo-ponte, financiamento temporário de curto prazo,  de 7,16 bilhões de euros junto ao Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (EFSM).

A Grécia quer uma ajuda financeira de até 85 bilhões de euros provenientes da Comunidade Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI. Essa ajuda deve durar três anos e o objetivo do governo grego é conseguir mais recursos financeiros antes do dia 20 de agosto, para pagar 3,19 bilhões de euros ao Banco Central Europeu.

É lastimável perceber a situação caótica em que se encontra a Grécia. A tentativa de não sucumbir ás imposições dos credores, com a consulta á população, por meio do plebiscito, foi inócua, já que o governo teve que voltar atrás e acatar as exigências.

O povo grego tem consciência de que essas medidas austeras vão atingir, novamente, a população e têm poucas chances de fazer o país crescer e aumentar a renda. Parece que os novos empréstimos só servem para pagar juros dos antigos e acumular novas dívidas com essa entrada de dinheiro que acarretará posteriormente, mais exploração, por meio de juros extorsivos.

Infelizmente, a saída encontrada por Alexis Tsipras não parece ter sido a melhor. No entanto, os gregos devem se empenhar para não se tornaram dependentes eternos de credores internacionais que não parecem ajudar, mas sim fomentar uma economia baseada na exploração de nações, por  meio de dívidas impagáveis que geram juros inconcebíveis.

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